• Podas em Sobral: o que você precisa saber sobre as podas na arborização urbana

    11 de junho de 2018

    O que são as podas?

    Uma poda é o processo que consiste em cortar certos ramos de uma árvore, geralmente para fortalece-la ou evitar que ela entre em conflito com elementos ao seu redor. As podas formam parte dos manejos mais frequentes na arborização urbana. Elas são de fundamental importância para o bom desenvolvimento da árvore em adequação com o seu entorno. De fato, uma poda correta pode fortalecer e garantir a saúde de um espécime, mas se não for adequada pode até causar a sua morte. A arborização urbana diz respeito a todos os cidadãos, por isso este artigo foi feito com objetivo de dar o leitor os conhecimentos básicos necessários para entender as podas realizadas em Sobral.

    Quem faz as podas?

    Cabe primeiro recordar que todas as podas devem ser efetuadas unicamente pela Prefeitura, conforme o Título X capítulo II - Art. 236, §3º:

    “Não será permitido o plantio de árvores ou qualquer outra vegetação que por sua natureza possa dificultar o trânsito ou a conservação das vias públicas. ”

    Consequentemente, é possível solicitar uma poda contatando os serviços da Prefeitura, mas nunca faça uma poda por você mesmo, pois seria passível de sanções.

    Para que servem as podas?

    Existem 5 tipos de poda.

     

    Poda de... Objetivos
    Formação Dar uma forma adequada ao desenvolvimento da planta durante as primeiras fases do seu crescimento.
    Limpeza ·         Cortar ramos mortos, danificados, doentes ou praguejados.

    ·         Corrigir o crescimento da árvore.

    Foto: Cola necessitando poda de limpeza. Fonte : Acervo Architectus.

    Levantamento de copa Remover os ramos demasiadamente baixos, que podem ser incomodantes, e impulsar o crescimento vertical da árvore.

    Foto: Flamboyant necessitando levantamento de copa. Fonte: Acervo Architectus.

    Adequação Evitar um conflito da árvore com um elemento do seu entorno (fiação, edifício...).

    Foto: Cassia-de-sião necessitando poda de adequação. Fonte: Acervo Architectus.

    Emergência Impedir que o espécime comprometa a segurança de pessoas, ou de patrimônio público ou particular.

     

    Respeitar a arquitetura da árvore

    As podas orientam o crescimento da árvore em que são feitas, por isto é importante entender a sua estrutura própria. As espécies podem ser:

    • Monopodiais: o seu tronco cresce indefinidamente na direção vertical, e todos os seus ramos estão ligados ao tronco.
    • Simpodiais: o seu tronco se divide em vários ramos que dão origem a outros ramos.

    O crescimento de um ramo na direção vertical é chamado ortotrópico, enquanto o crescimento na direção horizontal é plagiotrópico.

     

    Foto: Tamarindeiro, espécie simpodial em Sobral. Fonte: Acervo Architectus

     

    Foto: Pau-branco, espécie monopodial em Sobral. Fonte: Acervo Architectus

    Se o caule principal de uma espécie com crescimento ortotrópico for danificado, ele deixará de crescer segundo a sua arquitetura inicial e crescerá de maneira desorganizada. Por isto, é de suma importância ter um bom conhecimento de estrutura da árvore antes de proceder a uma poda.

    O que acontece com a árvore depois da poda?

    Quando um ramo é cortado, podem ser implementados vários mecanismos de defesa para cicatrizar o corte: isto é a compartimentalização. Ela se divide em 4 etapas:

    1: As células afetadas produzem taninos, complexos que alteram a cor do lenho.

    2: Os vasos que abasteciam o galho são bloqueados por resinas, látex, gomas e tiloses.

    3: Os tecidos adjacentes, que não foram afetados, passam a secretar substancias antibióticas para impedir uma contaminação no lugar do corte.

    4: Multiplicam-se células ricas em suberina, um polímero que torna o lenho mais elástico e impermeável, para cobrir a lesão.

    Este processo requere uma boa atividade das células ao redor da poda, por isso a compartimentalização será mais eficaz se o ramo for cortado quando ainda jovem. No caso contrário, células mortas remanentes podem afetar a cicatrização e fragilizar a árvore. Além disso, um ramo jovem é de diâmetro menor, e a compartimentalização também é facilitada.

    É melhor podar ramos jovens

    O objetivo de uma poda é a cicatrização completa da lesão sem perigo algum para a árvore. Este processo se fará tanto melhor quanto o galho podado for jovem, por várias razões.

    Poda de um ramo jovem Poda de um ramo velho
    As células têm maior atividade, o que garante o bom desenrolar dos 4 etapas de compartimentalização. Células velhas, doentes ou mortas perto do corte podem impedir a cicatrização completa, deixando uma lesão aberta vulnerável a pragas.
    Um ramo mais jovem tem um diâmetro menor, o que acelera ainda mais a compartimentalização. Um ramo de grande diâmetro cicatriza mais devagar.
    A poda de um ramo menor não altera muito o desenvolvimento da árvore. A poda de um ramo importante desequilibra a árvore, que compensa a perda de folhagem com produção de brotos em cima da poda, que darão ramos frágeis devendo ser removidos: são ramos epicórmicos.

     

    Quando pode ser feita uma poda?

    O momento de uma poda deve respeitar o ciclo da árvore. Existem três padrões de ciclos.

    • Repouso real – espécie caducifólia: a árvore perde as folhas durante a quadra invernosa, que segue o período de chuvas. É o caso do chapéu-de-sol.
    • Repouso falso: a árvore perde as folhas durante a quadra invernosa mas floresce logo em seguida, como o ipê.
    • Folhagem permanente – espécie perenifólia: a árvore não perde suas folhas, como o oiti.

    Foto: Chapéu-de-sol em Sobral.
    Fonte: Acervo Architectus.

    Foto: Ipê-roxo em Sobral. Fonte: Acervo Architectus.

    Foto: Oiti em Sobral. Fonte: Acervo Architectus.

    Os períodos adequados para a poda são os seguintes.

     

     

    É importante conhecer os ciclos, a estrutura e os mecanismos das árvores que nos rodeiam para entender melhor como é feita a sua manutenção e solicitar intervenções que possam parecer necessárias.